10 Julho, 2009

Recebi um email interessante, que segue:

País de Loucos?!

Uma das muitas notícias que indignou os brasileiros nos últimos dias foi a de que a Roseana Sarney tem um mordomo, funcionário do Congresso, trabalhando em sua casa.
Ainda bem que ela esclareceu que o cara é MOTORISTA e ganha bem (DOZE MIL REAIS) porque trabalha muito!
Ufa, que alívio! Pensei que era mais uma falcatrua da "famiglia" Sarney!

Repassando...........

CURIOSIDADES DE UM PAÍS DE LOUCOS OU DE GATUNOS, SE PREFERIREM.
Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Isto para dizer o mínimo; quando vamos ser passivos ?

Temos o que merecemos...Aguentar esta canalhada, cafajestes, ladrões impunes...
Nós, povo brasileiro, somos os responsáveis!

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNARMOS. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.
VALE A PENA TENTAR.

E não me venha argumentar, dizendo que sempre foi assim, que política n ão lhe interessa, etc

Tome uma posição. Proteste. Reaja!

08 Julho, 2009

Presidente Lula e o Corinthians...ou estão brincando comigo

que o Lula é corinthiano todo mundo sabe, mas usar de seu poder como presidente para arrumar contatos com empreiteiras para a construção do estádio do seu time, particular, pode?Foi o Ronaldo quem disse...

Ele vai ajudar a construir o estádio de quantos outros times brasileiros?

Miséria emocional

Miséria ainda tem acento?

07 Julho, 2009

Quando o amor é maior
que a dor?
que a dor que provoca
em mim e em ti?

como amar alguém
sem amar a si?
sem amar o que eu não sou
mas estou?

mudar, viver, seguir em frente
sem olhar para trás
das maiores dores
esquecer as grandes mágoas
e simplesmente ir
para além
além de mim
do que estou
do que sou
em busca
do que serei...

04 Julho, 2009

Escola de Atenas, de Rafael



Não me lembro ao certo quando achei que iria me dedicar à Filosofia, mas sei que das primeiras coisas que me fizeram "prestar atenção" nela foi esse afresco maravilhoso do Rafael...das coisas que mais quero, uma delas é poder um dia estar próximo a ele, no Museu do Vaticano...só espero que este não seja um sonho distante demais...

Em 1508 Rafael di Sanzio (1483-1520) foi chamado a Roma para produzir afrescos nas salas do Vaticano. Entre tantos de seus trabalhos que se tornaram famosos, há o célebre afresco “A Escola de Atenas”. No centro do quadro ele colocou Platão e Aristóteles, sendo que o primeiro aponta para cima e o segundo para baixo. Retrata bem, portanto, o debate central da filosofia medieval – a polêmica dos universais, em que o platonismo concede existências aos universais enquanto Formas e o aristotelismo aponta a existência nos elementos individuais e “terrenos”. Mas o espírito de sua época não se resumiu nisto, o de colocar a arte para, de um modo novo, fazer o que a filosofia faz. O espírito de sua época foi o espírito de Rafael na sua especial capacidade de ironia humorística diante do mundo. Pois o quadro de Rafael já seria uma grande afronta à Igreja caso ficasse fora do Vaticano, todavia, uma vez dentro do Vaticano e pintado com o aval do Papa, tornou-se um emblema renascentista de um humor próximo ao de Dante.

O nome original do afresco é Causarum Cognitio. Mas a partir do século XVII as pessoas começaram a se referir a ele como “Escola de Atenas” (fig. 1). O afresco não é uma alusão a qualquer uma das escolas filosóficas da Grécia Antiga, nem mesmo ao conjunto delas. Mais polêmico seria dizer que não é um quadro que quer mostrar que o saber da época de Rafael era derivado dos clássicos. Mas, de fato, se eu pudesse optar, diria que o nome original diz mais dele do que “Escola de Atenas".

02 Julho, 2009

Quando o olhar se perde no futuro do passado que é presente

nos rodopios do mundo caí
me arranhei, me cortei, levantei
e segui...

outros rodopios vieram
novamente quedas
novamente metas
novamente cumpri

cansada que estou das voltas
do mundo ao redor de mim
cansada de olhar pra frente
sem ver ao longe
sem poder sorrir

e das forças que tive
me mandam tê-las de novo
mas
cansada que estou das voltas
do mundo nas voltas em mim.

01 Julho, 2009

Pode não resolver, mas eu não vou deixar de falar

Hoje de manhã estava ouvindo a Ana Maria Braga falar e me chamou a atenção algum erro que ela cometeu, na conjugação de um verbo básico...fui prestar mais atenção e vi outro erro básico, a palavra berinjela escrita com "g", ela mostrou a tal etiqueta e não percebeu o erro, provavelmente nem sabe que estava errado, o que é um absurdo para alguém como ela, jornalista por formação...Não aguentei e enteri na internet e mandei um recado para o programa informando o erro, que foi, claro, ignorado.

Mudei de canal para ver se encontrava algo melhor e vi um programa ridículo na record, no programa da manhã, bom dia alguma coisa, e estavam com uma reportagem sobre mudança de vida, o de sempre, um homem reclamando que o casamento vai mal porque a mulher está, como diz ele, "desleixada". Ai aparecem fotos da pobre com uma panela de pressão na mão e um pano de prato no ombro...queriam que ela estivesse como, de longo e salto alto?

Não bastasse o machismo extremo do marido ao falar da própria mulher, esta, ao falar de si, demonstra uma tristeza enorme pela crise no casamento como se fosse a única culpada - e, cá entre nós, o marido não é nem perto um Brad Pitt - e se coloca a disposição para a "mudança radical", incluindo ai o básico, roupa e cabelos novos, e ainda fotos de lingerie para presentear o dito cujo. Os apresentadores do programa, claro, incentivam tal comportamento machista e "interagem" dizendo o quanto ela está melhor...será que não passa pela cabeça dela como será quando a chapinha perder o efeito e o belo vestido tiver que ser retirado pra ela voltar a ser a escrava da casa? Porque é óbvio que o homem não quer uma esposa, quer uma faxineira...eu me revolto com isso, sinceramente, quer uma empregada, contrata uma, e aí a mulher vai passar o dia se arrumando pra ele (tem gente pra tudo nesse mundo mesmo).

Claro que escrevi para o programa e claro que mais uma vez fui ignorada. O apresentador disse que eles estavam recebendo várias mensagens achando o máximo o novo quadro, e eu do outro lado vendo a miséria humana se fortalecendo...

Mas não deixei de reclamar, e não vou deixar nunca...um dia alguém ouvirá...

deprimida, na loja de pneus

...e cada vez mais indignada com a política brasileira

27 Junho, 2009

Morre Michael Jackson



Quem tem a minha idade hoje passou provavelmente a maior parte de sua vida tendo o Michael Jackson como ícone da música mundial. Ontem realmente levei um susto ao saber da morte dele, precoce, aos 50 anos.
Figura particular, acredito que ninguém conseguiria defini-lo em poucas palavras. pedófilo ou assexuado? Doente ou revolucionário? Não podemos dizer nada com certeza, mas o que resta, ao menos para mim, é a tristeza não só pela morte mas pelas dores desse artista de talento impressionante mas que provavelmente não soube lidar com a realidade. Talvez, se tivesse lidado, não teria deixado um legado tão importante.

Vi num site a simulação de como seria o rosto de Michael se ele não tivesse feito plásticas. Eu, particularmente, prefiro-o negro...

25 Junho, 2009

Desculpas da Prefeita




Eu me lembro bem de quando, na luta pelo seu primeiro mandato pela Prefeitura de Fortaleza, há mais de 5 anos, a senhora Luizianne Lins reclamava do tipo de asfalto da cidade, dizendo que o problema é que os prefeitos anteriores não se preocuparam com as bases sobre as quais estariam assentados os asfaltos, e que ela iria resolver esse problema e que faria uma "Fortaleza bela".

5 anos depois, em uma entrevista nesta semana,ela continua jogando a culpa do problema nas gestões anteriores e justificando a buraqueira na cidade por causa das chuvas. Estamos no dia 25 de junho e a chuva continua. Quer dizer que todo ano teremos que aguentar 6 meses de INFERNO?

Comentei aqui sobre minhas desventuras na BR 116, e agora que estou em Maranguape estou passando por algo pior! Como é possível demorar quase 2 horas para percorrer 30km? É o que eu tenho levado nos últimos dias, e ontem a noite tive mais um pneu furado (6 nos últimos 2 meses) com um aro de liga leva perdido e o carro completamente torto.

Além disso, parei na rua Augusto dos Anjos, perto do terminal da Lagoa, para trocar o pneu na chuva, com medo, e tentei parar o carro do Ronda do quarteirão que fingiu não me ver e passou. Por sorte encontrei quem me ajudasse mas até quando vou ser obrigada a passar por este tipo de coisa? Tem buracos que fazem o carro parar! A acelaração do meu carro está oscilando o tempo todo, ontem mesmo voltei ao mecânico para tentar resolver o problema mas nada adianta quando temos que mudar de marcha de metro em metro nessa cidade absurdamente destruída.

O problema é da chuva? Só pode arrumar quando a chuva passar? ENTÃO FAÇA O QUE PROMETEU E ARRUME DE VERDADE, POIS TODO O ANO ACONTECE A MESMA COISA!!!!

24 Junho, 2009

Engano ou burrice?




Essa foto foi tirada em um caixa do Extra. Todos os caixas continham a mesma placa.

Eu achava um absurdo a época em que a Xuxa começou na Globo e transformava tudo o que tinha "CH" em "X". As crianças viam aquilo e aprendiam errado.

Com a internet parece que errar virou coisa normal, e as pessoas não se preocupam mais em ter certos cuidados. Será mesmo que teremos que viver a época do tb, vc e blz?

Eu estou fora!

19 Junho, 2009

Que livro você é?

Que livro é você?
Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml

Esse foi o meu Resultado:
Foto: Divulgação


"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

Foto: Divulgação


"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

Foto: Divulgação


"Morte e vida severina", de João Cabral de Melo Neto
Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.
Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e vida severina" (1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.

11 Junho, 2009

Interação Literária

http://interacao.literaria.vilabol.uol.com.br/interacaoliteraria.html#

Nao sei se já comentei aqui o futuro lançamento do meu primeiro livro! é meu, pois faço parte dele, mas não é só meu, tem muita gente legal que também vai estar lá...não percam!

07 Junho, 2009

"Porque eu sonho, eu não sou"


Centro Cultural Banco do Nordeste - Filosofia

A Positividade do Mal: Uma Conversa com Schopenhauer
Dia 06, sábado, 16h

Expositor: Ruy de Carvalho, professor de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Uma conversa sobre a hipótese de Schopenhauer (1788-1860) de que são a maldade, o mal e a morte que, qualificando o assombro que nos leva a filosofar, constituem o punctum pruriens (ponto incômodo) da metafísica; de que o que nos espanta não é tanto que o mundo exista, mas que ele seja tão triste; que o mal seja primeiro e que o bem segundo; que nosso sofrimento não possa ser eliminado nem pelo idealismo, nem pelo ceticismo, nem pelo criticismo, nem...
Nesta edição do programa Conversas Filosóficas, convidamos você a analisar conosco a questão da filosofia e do mal, a partir da proposta filosófica de Schopenhauer. 240min.




Antes da sempre bem vinda fala do Ruy, o filme Leolo foi exibido. Acredito ter visto este filme em 1999, ano em que fui aluna do Ruy e suas indicações artísticas e filosóficas me estimularam muito. 10 anos depois, revi o filme que, lembro, havia me tocado profundamente. Novamente me deixei levar pela escatologia explícita e pela comédia da tragédia do filme. Como disse o Ruy, toda comédia é apenas uma tragédia que terminou antes. Eu sempre fui muito cética quanto aos finais felizes e me lembro quando, ainda criança, assistia os finais felizes das novelas e perguntava o que aconteceria se as cenas continuassem...os casamentos acabariam, os filhos desdenhariam seus pais, as viagens dariam lugar à rotina e tudo iria se decompor, entrar em estado de putrefação. Diziam que eu era louca, talvez eu fosse, mas quem nunca olhou algo perfeito e lindo e se lembrou que somente as flores de plático by hong kong não morrem? Eu gostaria que não fosse assim, de verdade.

Fica a sugestão de um filme maravilhoso, inquietante e angustiante sobre, mais que a loucura interna de uma família, a loucura externa e que perpassa todos da alienação a que a classe operária tem que se submeter para poder "sobreviver". Como em Leolo, talvez o que valha a pena é tentar a remissão dos pecados na escrita ou nos sonhos. Ou mesmo na loucura.

03 Junho, 2009

sobre as tragédias modernas

Eu entendo o drama que uma tragédia como a queda do avião da Air France provoca nas pessoas, e em nenhum momento pretendo me mostrar insensível diante dos familiares que sem dúvida nenhuma estão sofrendo muito, mas acredito que excluir do noticiário qualquer outro tipo de informação por causa da busca por explicações para o que aconteceu um exagero.

Pessoas continuam morrendo nos "semi-áridos" nordestinos e não se fala mais nisso, como se, por um milagre, o fim das grandes enchentes devolvesse aos milhares de desabrigados um lar e esperança.

Não acho que seja coincidência tanta atenção ser dada a um vôo com centenas de mortos entre as classes mais abastadas e quase nenhuma à multidão que não tem água nem comida. Algum governo mandou psicólogos e assistentes sociais para ajuda-los?

01 Junho, 2009

sobre a Copa no Brasil em 2014

Não quero nem pensar em quanto vou me estressar ouvindo falar dessa dita Copa, mas antes que isso aconteça, uma pergunta:

Alguém dentre as tantas pessoas que comemoraram abobalhadamente a inclusão de Fortaleza como sede da Copa sabe que a seleção brasileira NAO VAI JOGAR AQUI????

Só pra saber...

Desventuras em série parte 4

Mais uma semana...desta vez eu iria direto de Fortaleza para Iracema, e por falta de opção teria que ir mesmo na sexta. Como o ônibus sai muito cedo a melhor opção me pareceu ser o micro-ônibus que sairia 13h. Bem, apesar de ligar 5 vezes para o motorista para saber o horário correto pois eu iria pega-lo em um posto de gasolina, fiquei mais de uma hora esperando o dito cujo, que chegou tarde e lotado, com caixas e pessoas demais. Parecia ideal pois eu chegaria lá em tempo menor que as 6 horas previstas do ônibus que sai da rodoviária, mas perto de Russas o onibus simplesmente parou ao lado de um posto e quando eu fui perguntar o que estava acontecendo o cobrador disse que havia uma blitz do Detran e que eles nao tinham licença!!!Eu perguntei até quando ficaríamos ali e ele disse que até a blitz ir embora!Eu não acreditei, quatro e meia da tarde, um sol lascando e nós ali, parados, sem ter o que fazer! Depois de muito tempo organizamos um grupo pra ir embora dali de taxi mas na hora que o tal transporte chegou o nosso ônibus saiu, passava de 18h!

Exausta, com fome e com calor, ainda teria pela frente quase 3 horas de estrada! Antes de pagar ao cobrador eu fiz um tremendo discurso mostrando que ele não tem o direito de dispor do nosso tempo sem ao menos avisar, e, claro, tudo aquilo entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Mas eu não deixaria aquilo passar sem dizer nada.

com fome, fui comer algo e voltei pra pousada que, por eu nao ter feito reserva, nao tinha quarto com tv, e lá vou eu pra um quarto pequeno e sem iluminação torcer para dormir logo e acabar tudo aquilo.

No dia seguinte, a aula pesada, o dia todo, muito calor na sala...e o mototaxi me esperando pra me levar pra BR, 60km dali...e, medo que me perseguiu nas outras semanas, dessa vez a chuva me pegou, eu só com a roupa do corpo imaginando entrar num ônibus com ar condicionado até Fortaleza. Como eu quase morri de medo da outra vez, dessa o motqueiro foi tão devagar que, quando estávamos chegando na BR, vi o ônibus lá na frente! Pedi pra ele correr e subi esbaforida no último ônibus do dia! Foi por muito pouco...

Bem, a boa notícia é que, por causa do feriado da róxima semana, consegui antecipar a aula de sábado pra duas noites na semana. Vou na quinta, dou aula quinta e sexta a noite e sabado de dia e finish, Iracema só no ano que vem!

Espero que as desventuras tenham acabado, mesmo eu tendo ainda uma viagem a fazer...

26 Maio, 2009

Desventuras em série - Parte 3

Final de semana passado, toda a homérica trajetória se repete, mas o final surpreende...Após esperar bons minutos na BR, chegao o tão esperado, por mim e muitos outros, ônibus! O motivo da demora? O original quebrou, este que vinha atrás passou para "recolher" os que ficaram na estrada e ainda pararam pra gente entrar. Sabe o Paranjana 7h da manhã? Pois é...

E para piorar, um grupo de bêbados, mas muito bêbados, do meu lado, um sentou-se na cadeira colada na minha e eu passei 4 horas e meia com o maior bafo do mundo do meu lado!!!

Esta semana tem mais, espero que seja mais tranquila...

20 Maio, 2009

Ao meu "quirido" amigo Israel

Depois de tanto tempo estava ansiosa pra te ver, mas essa minha vida de professora BR não deixou...espero que volte logo... :)
Saudades, meu quirido!

Desventuras em série, parte 2

Como meu carro ficou praticamente inutilizado, não tinha outra opção senão vir pra jaguaribara de ônibus e aqui me virar pra ir pra Iracema no sábado. A única opção: Sair 6h da manhã do sábado, de MOTO, na garupa, e andar 85 KM! até chegar lá, morrendo de medo, dar aula sem parar de falar o dia todo pra poder parar um pouco antes do horário e pegar OUTRA MOTO, andar mais 69 km, e ao invés de parar no trevo da BR, ir para o posto onde me disseram que o ônibus vindo de Iguatu passaria. Chegando lá, descubro que ele NÃO PARA e fiquei na beira da estrada esperando o ônibus de jaguaribe passar e parar...foi anoitecendo, o desespero batendo, a atendente da empresa de ônibus nem um pouco amigável ao atender meu telefone, sem ao menos tentar entender o que eu estava passando, os sei lá quantos motoristas de ônibus "mui simpáticos" querendome dar carona...e eu lá, no sol desde 16:30h, escurecendo, e eu sem saber se conseguiria ou não ir pra casa...

Até que chegou o ônibus e parou, me dando um alívio que duraria minutos...imprudente e apressado, o motorista ignorava as crateras da estrada e ia em frente, deixando todos desesperados dentro do ônibus sem ar condicionado e todo fechado...

Cheguei quase 22h em Fortaleza, mais um tanto até em casa...passei o domingo resolvendo pendências e na segunda de manhã já estava de novo na estrada...

Meu corpo começa a reclamar, dores, pequenas queimaduras, garganta inflamada...Precisa ser assim?

10 Maio, 2009

o desespero de uma professora no meio da estrada

estou tao cansada que vou copiar e colar parte do email que enviei ao dani contando o que me aconteceu ontem...

quinta viajei 290km, 4 horas embaixo de sol e sob buracos enormes, ate jaguaribara pra dar aula quinta e sexta e ir sabado pra iracema....nao era o dia certo!acredita que a uva mudou a data e nao me avisou? o coordenador disse que tentou me ligar e eu nao atendi, oras, eu dou aula, nao posso atender a qualquer tempo!e avisei a secretaria que estava indo, enfim, uma confusao, nao queria jogar pra frente e perder uma viagem desse tamanho...ai fiquei la, sem fazer nada direito, nem estudar por causa da raiva, mas acho que resolvemos...ai fui pra iracema, a 100k de la...buraqueira total...dei aula de 7.30 as 17h, peguei a estrada correndo pra chegar em casa...chuva, escuridao antes mesmo das 18h....e eu indo devagarzinho por causa dos buracos...depois de russas, numa curva um buraco enorme, cai dentro, estourou o pneu que comprei pra ir pra natal...fiquei apavorada, ia tentar trocar sozinha mas nem o capô eu consegui abrir...e ninguem parava pra me ajudar, claro! sem sinal, fui me desesperando...ate que parei um carro, apesar de ter medo de saber quem estava la, mas felizmente eram dois casais que me ajudaram muito...troquei e fui em frente...2 km depois, outro buraco!!! e outro pneu estourado, sem uso, eu sem estepe no meio da estrada...andei um pouco e encontrei uma casinha, um senhor que nao conseguia falar direito ficou tentando me mostrar onde era o proximo borracheiro, e queria que eu fosse andando, 800 ou 800 mts, nove e meia da noite na estrada...acabou que ele foi de bicicleta, mas nao tinha pneus pra vender...ai a vizinhança se aglomerou e apareceu alguem com um carro, foi um sufoco pra tirar o pneu pq a roda tinha amassado, andamos 10 km, comprei os dois pneus e foi-se o dinheiro que eu ganhei na semana...o pior foi andar mais 125 km com um medo danado de pegar buraco, quando estava chegando em chorozinho, mais de 23h, um cara fingiu estar bêbado e se jogou no carro, acho que era tentativa de assalto...cheguei em casa 7h e meia depois de sair de iracema, mais que a volta de natal...exausta, tenho que voltar amanha e meu carro nao tem condições, desregulado que esta...

o piro e que de jagua pra iracema nao tem transporte...mas vou dar um jeito de ir de onibus, chega de me arriscar de carro...

e, claro , as verbas do Estado não serão usadas para arrumar as estradas...até quando teremos que aguetnar isso? vou escrever para o governo do estado...

09 Maio, 2009

Bucólica irrealidade

A cena poderia ser como nos filmes americanos da década de 50: uma bucólica cena onde uma loura de cabelos esvoaçantes percorre quilômetros de estrada, vendo no horizonte nuvens variando em tons de branco e cinza, entre elas o azul celeste intenso emoldurando um sol brilhante que segue o carro enquanto nas laterais da estrada a grama crescida com o orvalho da madrugada exala o cheiro tipido de interior....
Se fosse mesmo um filme da década de 50, a loura citada seria a Grace Kelly ou a Brigite Bardot, milionárias, o carro seria um esportivo conversível, a estrada a levaria até uma praia paradisíaca onde seu amado a esperava com uma taça de champagne gelado e belos pratos deliciosos...
Na vida real, a loura é uma professora de filosofia que não consegue prender o cabelo com o vento entrando pelas janelas de seu fiat sem ar condicionado, o horizonte parece não chegar nunca nos mais de 500 quilômetros que ela tem que andar de cidade em cidade para dar aula, as nuvens que trouxeram as chuvas derreteram o asfalto sonsiral das estradas que tem mais buracos que asfalto, o carro balança de um lado para outro tentando fugir do que fatalmente rasgaria seu pneu, o sol castiga com o calor insuportável em horário de pico, o amado ficou a quilômetros e dias de distância e o que a espera é apenas um prato de arroz e ovo e uma cama de pousada torta num quarto escuro e sujo...
É dura essa vida de professora BR...

05 Maio, 2009

Meu amado

O que é o amor, meu amor?
Amor de quem ama dói, espera o amor do amado
Ama o amor esperado
amor entregue
amor cego
amor cegado

Do que é feito o amor, meu amor?
além de amor, algo maior?
ou nada pode ser maior que o amor
ao amado?

Quem ama, o amor magoado
pela falta do amor do amado
pela jura do amor negado
pela espera do amor vindouro
de ouro fosco, rasgado

Quem ama, ao amado dá amor regado
de esperança pelo amor do amado
pela dor do amor chorado
pela espera do amor, meu amado.

O poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

29 Abril, 2009

ainda sobre a farra das passagens

Resolveram aprovar o corte das passagens numa tentativa de calar a opinião pública, e no dia seguinte dizem que vão aumentar a verba de cada parlamentar? Devem estar brincando comigo...

20 Abril, 2009

III Coloquio Internacional de Metafísica

De hoje a sábado participarei do citado colóquio e, pelos palestrantes convidados, acredito que será muito proveitoso.
Minha apresentação será na quarta. Veremos

18 Abril, 2009

Ainda sobre os abusos dos políticos

Eu não viajo por não ter dinheiro.Já viajei bastante,mas gostaria de viajar mais, só que o meu dinheiro atualmente não da para isso. Por que tenho que pagar para políticos viajarem ao exterior com a família? É um absurdo o que está acontecendo, e sabe qual a desculpa deles? Fizeram "economia" viajando em voos noturnos para poder usar as passagens para ir à Paris com a família...E por que não voam somente nesses voos?

Quem é pego diz que vai devolver os dinheiro, como o caso do namoradinho da Galisteu. E quem não é pego? Quantos não são pegos? Nessa roleta muito menos parlamentares são descobertos e nosso dinheiro continua indo pelo ralo.

Eu acho que cada parlamentar deveria ter uma quantidade de passagens mínima para o seu Estado de origem e, quando necessitarem voar para outros Estados com fins especificamente de trabalho, solicitar a passagem, explicando para que servirá e anexando comprovantes, como se faz em qualquer empresa particular.

E para não ficar somente nesse lamento internético irei agora na página da Câmara fazer uma reclamação...como uma formiguinha, sempre

Café e Filosofia

16 Abril, 2009

Café e Filosofia



Fui convidada pelo Prof. Casemiro para fazer um bate papo no Sesc. Me chamou muita a atenção o fato de pessoas se interessarem pelo tema Filosofia, normalmente restrito ao ambiente da Faculdade. E, além do local ser excelente, muito agradável, as pessoas que lá estiveram se mostraram bastante receptivas e interessadas. Adorei a conversa, e mais ainda saber que pessoas que trabalham o dia inteiro reservam um tempinho para cuidar das coisas importantes na vida,normalmente relegadas ao esquecimento....

Debates filosóficos


Divulgação
Projeto Café e Filosofia divulga programação de abril

O projeto Café e Filosofia, atividade do SESC que desenvolve reflexões filosóficas sobre os fatos do cotidiano, divulga sua programação para este mês de abril. Os encontros são gratuitos e acontecem sempre às quintas-feiras, às 18h, no auditório do Sesc Centro. As inscrições podem ser feitas na Biblioteca da Unidade.

Mediadas por professores, filósofos e especialistas no assunto, as discussões buscam despertar nos participantes uma leitura crítica da realidade. Participe!

Confira a programação dos encontros:

2 de abril:
Tema: “Para que serve a filosofia?”
Mediadora: Profª. Erika Bataglia (Filósofa, Mestranda em Filosofia pela UFC)

16 de abril:
Tema: “Tempo de transformações: para onde caminha o mundo hoje?”
Mediador: Profº. Tilso Bataglia (Mestrando em Filosofia – UFC)

23 de abril:
Tema: “Respeite os meus direitos; logo existo!”
Mediador: Profº. Casemiro Campos (Doutorando em Filosofia – UFC)

Serviço:
Projeto Café e Filosofia
2, 16 e 23 de abril, às 18h às 21h
Auditório do SESC Centro (Av. 24 de maio, 692 – Centro)
Entrada Gratuita
Informações: (85) 3452-2114 / 2115.

Para que Filosofia? Uma pequena reflexão acerca

da pergunta que nos cerca.


Erika Bataglia da Costa

Mestranda em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará – UFC

Bolsista Capes-Reuni

“Se se deve filosofar, deve-se filosofar, e se não se deve filosofar, deve-se igualmente filosofar; em qualquer caso, portanto, deve-se filosofar; se, de fato, a filosofia existe, somos obrigados de qualquer modo a filosofar, dado, justamente, que ela existe; se, ao invés, não existe, também nesse caso somos obrigados a pesquisar como a filosofia não existe; mas pesquisando, filosofamos, porque a pesquisa é a causa da filosofia”

(Aristóteles, Protrético, 2)

Se um filho resolve falar para os seus pais que decidiu fazer vestibular para cursar Medicina, Direito ou Engenharia, não ouvirá deles a pergunta sobre o porquê da escolha. Se, no entanto, ele disser que decidiu fazer Filosofia, a primeira e estridente reação será: Filosofia? Por quê? O que é isso? Para que serve?

Ao ouvir que alguém faz faculdade de Matemática ou Física, História ou Geografia, a pergunta terá um teor um pouco diferente. Ela será em função do estranhamento diante da visão de alguém que quer ser professor, pois no mundo em que vivemos qualquer destas disciplinas referem-se essencialmente ao ensino, e, nós sabemos, ser professor no nosso país não faz com que a pessoa seja “rica”, “famosa” ou “poderosa”.

Em ambos os casos a questão que se coloca é a mesma. Só é aceitável aquele que procura profissões que possam garantir dinheiro ou poder, ou, melhor ainda, os dois. Procura-se aquilo que seja útil, que possa transformar em riqueza material qualquer coisa, tornando-as mercadorias, inclusive as pessoas.

Antes de falar sobre para que “serve” a Filosofia, precisamos nos indagar sobre o que é esse “servir” e qual a sua origem.

Em nossa vida cotidiana possuímos crenças que nos são passadas culturalmente através das gerações. Essas crenças são fatos, ideias e acontecimentos que aceitamos como se fossem óbvios e sequer questionamos, como se fossem verdades absolutas. A esse conhecimento prático, normalmente irrefletido, chamamos de senso comum.

É o senso comum que nos imputa as regras a serem seguidas, as normas a serem aceitas, a forma que devemos viver e, principalmente, para que “servem” as coisas. Segundo Chauí:

Achamos óbvio que todos os seres humanos seguem regras e normas de conduta, possuem valores morais, religiosos, políticos, artísticos, vivem na companhia de seus semelhantes e procuram distanciar-se dos diferentes dos quais discordam e com os quais entram em conflito. Isso significa que acreditamos que somos seres sociais, morais e racionais, pois regras, normas, valores, finalidades só podem ser estabelecidos por seres conscientes e dotados de raciocínio. (CHAUÍ, 15).

O problema é que, apesar de sermos seres racionais, normalmente não “raciocinamos” sobre as coisas do mundo, e simplesmente aceitamos os fatos como eles nos aparecem. E, pior, sequer percebemos que isto acontece, o que pode nos gerar terríveis consequências.

Ao longo da história da humanidade diversas crenças, antes aceitas incontestavelmente, começaram a ser questionadas e, em muitos casos, foram abandonadas. Aprendemos, em certos casos, que tomar por certos comportamentos, atitudes e ideias sem ao menos questioná-las pode ser perigoso.

Foi o caso, por exemplo, do nazismo. A Alemanha nazista, através de uma maciça campanha de propaganda, conseguiu convencer uma nação inteira da superioridade de sua raça e que as demais deveriam ser exterminadas. Um grupo de pessoas, inconformado com tal absurdo, questionou tal ação. Muitos morreram em função disso, mas os demais conseguiram mobilizar vários países e, tempos depois, ficou comprovado cientificamente, que não há diferença entre raças, aliás, o próprio termo raça foi abolido. Outro episódio que demonstra o quanto um determinado conhecimento, dado como certo e verdadeiro, pode passar séculos convencendo as pessoas foi a Inquisição da Igreja Católica. Durante boa parte da era medieval, os dogmas da Igreja foram impostos a todas as pessoas dos reinos da Europa. Porém, algumas pessoas passaram a questionar tais dogmas e, com medo de uma crise de fé, a Santa Inquisição julgou e condenou, muitas vezes à morte, estas pessoas que questionavam os seus dogmas. Podemos citar ainda, em nossa história recente, a revolução inicial de um grupo de pessoas na década de 1960 que, ganhando força, acabou derrotando a ditadura brasileira.

Aqueles alemães que não aceitaram o extermínio como natural, os “infiéis” que questionaram a forma com que a Igreja lucrava com os indultos cobrados dos fiéis e os jovens que foram às ruas lutar pela democracia no Brasil tinham algo em comum. Eles não aceitaram como óbvias as “verdades” impostas por aqueles que estavam no poder, eles questionaram, criticaram, combateram. Em suma, de certa maneira, podemos dizer que eles filosofaram.

Será então possível que todas as pessoas possam filosofar? Gramsci, filósofo italiano, costumava dizer:

Todos somos filósofos, no entanto, temos que distinguir o «filósofo» que todos somos, que ocasionalmente filosofa espontaneamente, do filósofo que sabe do ofício, o filósofo intencional, que concebe uma visão do mundo e da vida, que incessantemente está no encalce da verdade e na busca de fundamentos para as suas ideias, princípios e concepções.(apud CHAUÍ, 2008, pg. 14)

“Filosofar”, antes de tudo, é ter uma atitude diferente diante das “verdades postas”, daquilo que é aceito, do senso comum. Quando algo que era objeto de crença começa a nos aparecer como algo contraditório ou problemático, esse algo passa a ser motivo de questionamentos e indagações. A partir daí, mudamos da atitude a qual estamos acostumados e passamos à atitude filosófica.

Quem não se contenta com as crenças ou opiniões preestabelecidas, quem percebe contradições e incompatibilidades entre elas, quem procura compreender o que elas são e por que são problemáticas está exprimindo um desejo, o desejo de saber. E é exatamente isso o que, na origem, a palavra filosofia significa, pois, em grego, philosophía quer dizer “amor à sabedoria”. (CHAUÌ, 2008. pg.16).

Para Platão, a filosofia nasce com a admiração, e Aristóteles dizia que ela nascia com o espanto. Ambos perceberam que somente diante do desconhecido passamos a ter uma atitude que pode nos levar ao verdadeiro conhecimento. O grande problema é que nós achamos que já conhecemos tudo, que já sabemos o que são as coisas, e simplesmente as aceitamos como certas. Como vimos anteriormente, quase sempre nos enganamos quando temos essa postura. Por isso, é importante nunca deixar de ter uma atitude crítica diante não só do desconhecido, mas especialmente do “conhecido”.

Voltando à questão do “servir”, ou seja, da utilidade da filosofia, podemos perceber que aquilo que o senso comum, histórica e culturalmente, considerada útil, é aquilo que possui uma finalidade prática, clara e evidente. Como exemplo podemos citar as ciências. Ninguém questiona a utilidade das ciências, pois entende que o seu produto, a técnica, “serve”, ou seja, tem uma utilidade visível. O telescópio, o cronômetro, a luz elétrica, o avião, o computador, todos são instrumentos de uso indiscutível que surgiram a partir dos estudos científicos.

O problema que a maioria das pessoas não vê é que, se a ciência pretende ser um conhecimento verdadeiro, tem que se basear em instrumentos e formas corretas de agir. Essa pretensão das ciências pressupõe que elas admitem a existência da verdade, do correto, do pensamento racional, da melhor aplicação do conhecimento, e todos estes objetivos e propósitos não são científicos, mas filosóficos! Os cientistas partem destas questões como já resolvidas, mas é a filosofia quem as propõe e investiga!

Podemos dizer então que, da forma como o senso comum pensa a utilidade das coisas, a filosofia não teria uma determinada utilidade. Mas, se pensarmos melhor, perceberemos que em vários aspectos a utilidade da filosofia estaria ligada às mais importantes atitudes humanas. Enumeraremos algumas:

a. Filosofia como crítica à ideologia;

b. Filosofia para pensar bem (lógica);

c. Filosofia para agir bem (ética);

d. Filosofia para formar a consciência;

e. Filosofia para o trânsito da consciência ingênua à consciência problematizadora;

f. Filosofia para nos conduzir à felicidade;

a. Filosofia como crítica à ideologia

Ideologia é um termo usado comumente pelo senso comum com o sentido de um conjunto de ideias, doutrinas e visões de mundo de um determinado grupo, normalmente influenciada por quem detém o poder. Para Karl Marx, filósofo alemão, a ideologia é o modo pelo qual a classe dominante aliena a classe operária para dela tirar proveito.O processo de alienação faz com haja a transferência do domínio de algo para outrem. Dessa maneira, a ideologia submete o indivíduo à heteronomia (Do grego heteros (diversos) + Nomos (regras), sem que este o saiba. Desta forma, o sujeito transfere para o outro a responsabilidade pela criação das regras e dessa maneira passa a aceita-las sem questioná-las. O indivíduo, desta maneira, passa por um processo de “perda de si mesmo”, e todas as suas relações no mundo e com o mundo são moduladas em função da reprodução dos poderes hegemônicos.

A filosofia, nesse sentido, pode ser instrumento de emancipação do indivíduo, isto é, da “recuperação de si”. Para tanto, ela denuncia a dominação disfarçada de pseudo-liberdade que a ideologia nos impõe. Neste sentido, a filosofia é necessária ao restabelecimento da autonomia do indivíduo na medida em que, invocando a razão crítica presente nele mesmo, submete o próprio conteúdo de sua consciência ao exame da validade de seus fundamentos sociais, políticos, etc. Assim, esta autopurgação sistemática (conhece-te a ti mesmo), seguindo regras claras em sua elaboração, aplana o terreno existencial sobre o qual brotará a liberdade genuína.

b. Filosofia para pensar bem (Lógica)

A palavra lógica originou-se do grego logos, que significa palavra, ideia, discurso. Por outro lado, o discurso, a fala, a linguagem, é aquilo que manifesta o pensamento. Este, por sua vez, é fundamental para o conhecimento da realidade. Pode-se mesmo dizer, que o conhecimento é a realidade organizada em e no pensamento. Quando o pensamento esta de acordo com a realidade o sujeito encontra-se na verdade. Para tanto, o pensamento atribui a si mesmo regras e princípios rigorosos (princípio de identidade, não-contradição, terceiro excluído, causalidade) que o permitem discorrer ordenadamente sobre os dados oriundos da realidade externa e interna. É necessária a obediência a estas regras para que a verdade sobre tais dados seja alcançada. A lógica é, precisamente, a parte da Filosofia que irá garantir as regras de retidão do pensar. No entanto, ela não se constitui como fim em si mesma, mas apenas como meio para se garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Neste sentido, a Filosofia, através da lógica, torna possível o ordenamento do pensar garantindo a posse pelo espírito de um valor fundamental à civilização, refiro-me à verdade.

c. Filosofia para agir bem (Ética);

A palavra ética vem do grego ethos e significa costumes, modo de ser e também caráter. É uma parte da Filosofia que pretende investigar e estabelecer os fundamentos e a validade das normas morais e dos juízos de valor ou de apreciação sobre as ações humanas qualificadas de boas ou más. Podemos dizer que o seu objetivo maior é fazer com que as pessoas vivam em comunidade da melhor maneira possível.

A ética é pautada por princípios, e é a reflexão filosófica que fundamenta as normas e os princípios em questão. Assim, caberá à filosofia justificar racionalmente a submissão da liberdade ao bem. Neste sentido, a filosofia é necessária à harmonização das liberdades entre si e do comércio destas com o mundo. Muito embora o direito e a moralidade também promovam a harmonia, não o fazem, no entanto, em uma dimensão fundacional, tal qual a filosofia, e, além disso, podem estar a serviço dos interesses de uma minoria. Ademais, é a filosofia quem denuncia quando o direito e a moralidade se encontram a serviço não da liberdade de todos, mas de poucos.

Platão, a este respeito, escreveu que devemos sempre agir de forma a buscar o bem e o justo, e em um de seus diálogos nos diz que Uma vida sem este exame não é digna de ser vivida (PLATÃO, 1997. pg.38a).

Como devemos agir, quais regras devem ser seguidas e quais devem ser descartadas, como interagir com o outro respeitando sua liberdade e tendo a minha liberdade respeitada, como colaborar para a convivência harmônica sem ser submisso às ideologias vigentes, como respeitar o outro e ser por ele respeitado, são objetos da reflexão ética fundamentais para a vida em comum.

d. Formar a consciência (definição de consciência)

A filosofia fornece estruturalmente os elementos necessários á formação da consciência (princípios do conhecimento e da ação). Desse modo, a cultura filosófica torna a consciência imune aos estupefacientes culturais que a sociedade de massas e a indústria cultural ofertam incessantemente. Neste sentido, a filosofia é necessária para estabelecer na consciência critérios consistentes de aceitação ou recusa de tudo o que nos rodeia tornando-nos senhores da elaboração de nossas preferências. Formar uma consciência emancipada consiste, pois, em nutri-la filosoficamente através da desconfiança refletida em relação ao que se nos apresenta as diversas instituições sociais.

e. Trânsito da consciência ingênua à problematizadora

A filosofia institui a negatividade como padrão de interpelação do mundo, isto é, recusa ou nega o assentimento imediato em relação a tudo o que é dado, percebido, imposto e leviana e inconsistentemente justificado. Neste sentido, a filosofia dissolve a ingenuidade, que é sempre tributária da aceitação imediata do mundo, substituindo-a pela problematização “inquisitora” que pretende vasculhar o que se oculta sob o disfarce da imediatez. Finalmente, a problematização desdobra novas perspectivas de resolução e transformação do existente e, por conta disso, a filosofia é necessária ao próprio desenvolvimento cultural e ao refinamento civilizatório.

f. Filosofia para nos conduzir à felicidade

Talvez o propósito mais importante da Filosofia seja a condução à felicidade. André-Conte Sponville, filósofo francês contemporâneo, escreveu que o principal objetivo da filosofia seria a condução de cada um à felicidade, mas não a felicidade total e irrestrita, uma alegria contínua e soberana, ou mesmo a ausência total de sofrimento e angústia, pois certamente isso não existe. A felicidade, se a entendemos como uma alegria completa, é apenas um sonho, que nos separa do contentamento verdadeiro. Em busca da felicidade absoluta, nós nos proibimos de viver as felicidades relativas e nos tornamos infelizes. Se, ao contrário, você entender como felicidade o fato de não ser infeliz ou simplesmente de poder desfrutar algumas alegrias, a felicidade não é impossível. E você será feliz somente por não ser triste. À exceção, claro, nos momentos mais difíceis da vida.

O autor nos diz que a felicidade interessa a todo mundo, e todos a buscam, inclusive os suicidas. Para ele, a sabedoria que advém da filosofia é necessária por dois motivos: porque somos infelizes e porque somos mortais. Quando temos tudo para ser feliz e não somos, é porque nos falta sabedoria. E sabedoria é saber viver, aprender a viver.

Para a maioria das pessoas, ser feliz é ter aquilo que se deseja. Mas no momento que temos o que desejamos, o desejo acaba, pois aquilo que passamos a possuir já não nos falta mais. Então procuramos por outros objetos de desejo. São as chamadas armadilhas da esperança, porque quando esperamos a felicidade e ela não é satisfeita, sofremos e nos frustramos. Quando é satisfeita, nos entediamos e nos frustramos também. Para escapar deste ciclo normalmente as pessoas seguem três estratégias: se divertir para esquecer, alimentar novas esperanças (fuga para frente) e depositar esperanças em outra vida (salto religioso).

A esperança é um desejo que não depende de nós, enquanto a vontade é um desejo que depende de nós. O autor propõe uma felicidade desesperadamente, mas não o desespero no sentido comum, mas no sentido de não esperar, não ter esperança. Não significa que as pessoas devam amputar suas esperanças, mas que aprendam a pensar mais, querer o que vale a pena e amar melhor.

Filosofar é pensar sua vida e viver seu pensamento. Em que medida isso pode nos aproximar da felicidade? Ficando mais perto da verdade, nós nos libertamos de várias ilusões e esperanças tolas. Isso nos ajuda a amar a vida mais do que amar a felicidade, a verdade mais do que a fantasia, o amor mais do que a fé ou a esperança. É isso que chamamos de sabedoria. (SPONVILLE, 2002, pg.16).

A felicidade não é absoluta, mas um processo. E, desta maneira, precisamos de sabedoria para entender esse processo. A sabedoria é a felicidade dentro da verdade. É o máximo de felicidade associado ao máximo de lucidez. Essa é a meta da filosofia. Nesse caminho, há muitas ilusões a perder e algumas verdades desagradáveis a confrontar. É por isso que a filosofia passa inevitavelmente pela angústia, pela dúvida, pela desilusão. Continua sendo apenas um caminho. O filósofo prefere a alegria à tristeza, como todo mundo. Mas ele coloca a verdade num patamar mais alto que todo o resto. Isso não quer dizer que seu objetivo seja a infelicidade. É preciso sempre ter coragem para enfrentar a melancolia ou a tristeza quando surgem. É o único caminho.

BIBLIOGRAFIA

CHAUÍ,Marilena.Convite à Filosofia.São Paulo: Ática, 2008.

PLATÃO, Apologia de Sócrates. Introdução, versão do grego e notas de Manuel de Oliveira Pulquério. Brasília,DF. UNB, 1997

_______, A República. Tradução, textos complementares e notas de Edson Bini. Bauru, SP. Edipro, 2006.

SPONVILLE, André-Conte. Apresentação da filosofia. São Paulo. Martins Fontes,2002.

_______. A Sabedoria dos Modernos. São Paulo, Martins Fontes,2000.

09 Abril, 2009

'Barebacking' cresce no Brasil e torna-se caso de saúde pública

Recebi ontem uma mensagem do Ailton e fiquei impressionada. Não tinha ouvido falar do termo barebaking:
"barebacking" (derivado da
palavra barebackers, usada em rodeios para designar os caubóis que
montam a cavalo sem sela ou a pêlo).

No sentido do texto, significa um grupo de pessoas que tem relações sexuais com outras sem proteção
sabendo que correm o risco de contrair o vírus da aids.
O termo ficou conhecido internacionalmente como uma gíria para o sexo
sem camisinha, praticado de preferência em grupo, em festas fechadas,
por homens sorodiscordantes (HIVs positivos e negativos).

“Coisa de macho”, garantem os adeptos. O movimento cresce no Brasil,
de forma assustadora, e tornou-se uma questão de saúde pública e
motivo de preocupação social.
Existem anúncios: “Procuram-se HIVs”. claro, anúncios desse tipo não passam despercebidos.

Mas, de fato, o que esperam essas pessoas? Poder finalmente transar sem camisinha? Será só isso? Duvido.

A que ponto pretende-se chegar? Que tipo de risco é esse? Será que o desespero da pós-modernidade fez com que as pessoas
realmente perdessem a noção de cuidado, proteção? Tomara que não.

08 Abril, 2009

Sobre Cristovam Buarque e sua cesta básica de livros

Acabei de ouvir uma notícia bem interessante, de um dos poucos, pouquíssimos políticos que me fazem acreditar que ainda existem pessoas com boas intenções nesse meio – não que eles possam mudar algo, o sistema mesmo impede – que é a cesta básica de livros.
Cristovam parte de um princípio que faz sentido e que os Titãs já haviam colocado em uma das suas músicas, a gente não precisa só de comida, mas de diversão e arte. Para mim, a leitura sempre foi, antes de qualquer coisa, diversão. E hoje, mesmo quando ela é “forçada”, é prazerosa. Mas eu sei que eu não faço parte da maioria...
Não sei se estou muito pessimista, mas a primeira reação que eu tive ao ouvir a notícia foi de alegria, mas imediatamente em seguida veio o seguinte pensamento: Quantos destes livros não irão parar na Praça José de Alencar para serem vendidos a R$ 1?
Tomara que não, tomara que eu esteja errada...se pelo menos um destes livros fizer com que alguém se encante e entre no mundo maravilhoso da literatura, já terá valido a pena!

05 Abril, 2009

sobre o novo imposto sobre os cigarros

Eu já falei o quanto odeio cigarros, e da falta de educação da maioria dos fumantes que acham que colocar o cigarro longe da "vítima" diminui o inconveniente...agora, achar que aumentar a taxa de imposto que incide sobre o cigarro vai fazer diminuir o número de fumantes ou a quantidade fumada por cada um é, no mínimo, ingenuidade.

Quem fuma, não fuma só porque quer, a maioria realmente é viciada, e vai pagar mais caro por isso. Eu acredito ser melhor taxar menos bens fundamentais e aumentar os supérfluos - e pagar mais pela cervejinha nos finais de semana - e esperar que o preço possa fazer diminuir o consumo...mas duvido que isso vá acontecer, infelizmente.

Aliás, o governo espera por isso, como foi dito, eles pretendem recuperar a perda de arrecadação no cimento, por exemplo, através dos cigarros...

Começou...

Obama não disse que ia diminuir as tropas no Iraque, até deixar o país?

Mas o aumento no número de soldados enviados ao Afeganistão, contra o regime Taliban, pode?

Será porque os Bin Laden são amigos dos Bush? Claro que não, isso é só uma brincadeira, Obama não perderia seu tempo com picuinhas como essas, mas que parece, parece.

01 Abril, 2009

dos absurdos absolutamente inaceitáveis

Fui cortar meu cabelo hoje e ao meu lado, na cadeira, uma criança de 4 anos. Uma cabeleireira passava uma espécie de pasta em seu cabelo, e o cheiro forte exalado do tal produto tomava o ambiente. Sua mãe, sentada ao lado, com a cabeça cheira de lâminas de alumínio esperava a tinta fazer efeito. Fiquei me perguntando o que aquela mãe estaria fazendo com a criança e não queria acreditar...até que perguntei discretamente à manicure, que confirmou o que eu já imaginava...ESTAVAM FAZENDO ALISAMENTO NESSA MENINA!!!

A própria manicure achava um absurdo, mas funcionária que era, calava-se. O pior, segundo ela, é que aquilo se repetia de 6 em 6 meses, há quase 2 anos!!!

Não sei se não seria caso de dar queixa, afinal os produtos usados para alisar o cabelo possuem químicas que, obviamente, não devem ser usados em criança.

Pior - se é que algo pode ser pior - é o que essa mãe está fazendo para a auto-estima de uma criança, que ainda não deveria ter sucumbido - como tantas, mais velhas - à obrigatoriedade de seguir um determinado padrão de beleza para poder se enquadrar na sociedade.Seus belos cachos de criança não passarão de lembranças em fotos de sua infância, e o que esse ato trará como consequência, o tempo, sabemos nós, dirá.

30 Março, 2009

Para que filosofia?

Antes de mais nada, em relação à pergunta acima: Mais importante que aprender FILOSOFIA - leia-se, História da filosofia -, há que se aprender a FILOSOFAR.
Estou escrevendo um texto sobre o tema e ao fazer minhas pesquisas fiquei impressionada com a quantidade desse tipo de questão na internet...o que seria muito bom, não fosse a qualidade das argumentações...

De volta aos velhos e bons livros...

sobre as notícias iniciais da semana...

...uma biografia do falecido Heath Ledger - alçado a eterno Coringa - me faz pensar sobre tantas pessoas que realmente mereceriam tal honraria e que sequer serão lembradas, simplesmente pelo fato de que suas ações não se dão na glamourosa e superfual hollywood...

... a discussão sobre expulsar ou não um aluno que levou uma arma pra escola em São Paulo - cuja mensalidade é de R$1.700,0 - e a cara de pau de seus pais que disseram que "nem se lembravam que tinham uma arma em casa" me faz pensar no que aconteceria se a mesma situação tivesse ocorrido em uma escola qualquer da periferia de qualquer grande cidade - e ter a quase certeza de que o fato só se tornaria notícia se a arma tivesse sido disparada contra alunos e professores

...um judeu que escreveu sobre coisas engraçadas e ridículas da Bíblia - mas diz que quem não a leu é "cego" - e diz que é melhor ler o seu livro, "que é bem menor do que a Bíblia", me sugere que o mais fácil e mais palatável é o que deve ser seguido...como se algum texto "fácil" mudasse a vida de alguém.

...a Dona da Daslu ter sido sentenciada a mais anos de prisão que o Marcola - líder do PCC - e todo mundo achar isso um absurdo...então não seria o caso de aumentar a pena do Marcola? Ah, e ela só passou uma noite na cadeia, o habeas corpus já a livrou de ter que passar os dias presa enquanto recorre da decisão...enquanto isso ela paga milhões para um dúzia de advogados justificar o injustificável.

...novo estudo diz que a carne vermelha não deve ser cortada da alimentação - contrariando os trezentos estudos que dizem o contrário - mas que deve ser consumida com moderação. Ora, Platão já sugeria tal moderação, e seu discípulo Aristóteles propunha a justa medida...alguma novidade?

...um conselheiro do tribunal de contas do rio de janeiro comprou uma casa por R$ 163 mil mas a casa vale R$ 1,5 milhão...a desculpa dele é que ele diz ser bom em investimento...vai ser bom assim na resolução dos problemas do Rio!!

Todas

as paciências raras

as ansiedades postas

os medos fortes

as coragens grossas

as verdades escuras

as mentiras laicas

as vontades loucas

as vidas mortas

24 Março, 2009

Sobre a ditadura...

Branda ou dura? Ditadura

24/03/2009 11:42:14

Emiliano José "... Mas, se as chamadas “ditabrandas” – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça – o novo autoritarismo latino – americano, inaugurado por Alberto Fujimori, no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente". (Editorial da Folha de S. Paulo, de 27/02/2009).

Esse parágrafo do editorial Limites a Chávez desnuda qualquer pretensão crítica de Folha de S. Paulo à ditadura militar. Constituiu uma impressionante defesa do golpe militar de 1964. Vamos dar uma olhadinha apenas nele, nesse parágrafo, para que depois entremos com mais rigor no assunto. Primeiro, a Folha diz que não havia golpe. Havia apenas uma simples “ruptura institucional”. Não houve tanques nas ruas, não houve prisões, não houve torturas. Nada.

E na sequência, depois dessa quase angelical ruptura institucional, a ditabranda - o neologismo cunhado pela Folha para definir a ditadura militar – preservou a disputa política na sociedade brasileira, certamente em moldes civilizados, como está quase explícito no texto. A ditabranda, que os leitores desculpem o uso abusivo do termo, depois da ruptura institucional – outra vez peço desculpas – preservou ou instituiu “ formas controladas de disputa política e acesso à justiça”. É, na opinião da Folha, foi apenas isso.

A ditadura garantia não só a disputa política como também acesso à justiça. Diabo é o Chávez que, em 10 anos de poder, disputou 15 eleições, venceu 14, e em todas elas experimentou a presença rigorosa de observadores internacionais. Seguramente não foi esta a ditadura que eu vi, que a sociedade brasileira viu.

"... A via-crucis de Eduardo Collen Leite – Bacuri – durou 109 dias. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pela equipe do delegado Sérgio Fleury, e conduzido a um centro clandestino de tortura em São Conrado. Foi interrogado e torturado em muitos locais no Rio e em São Paulo. Após ser retirado do X-1 do Deops/SP, nunca mais foi visto por ninguém, a não ser por seus algozes. No dia 08 de dezembro de 1970, o corpo de Bacuri foi encontrado nas imediações de São Sebastião, litoral norte do Estado de São Paulo. Seu corpo foi encontrado apresentando hematomas, escoriações, cortes profundos, queimaduras, dentes arrancados, e olhos vazados". ( Dos filhos deste solo: Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio).

Não houve a singeleza da ruptura institucional, que só a Folha e a direita brasileira viram. Houve um golpe violento. Sem exagero, regado a sangue. Sangue de brasileiros e brasileiras. Um golpe que usou e abusou da tortura. Que matou covardemente centenas de opositores. Matou quase invariavelmente na tortura. Que prendeu, perseguiu, humilhou, maltratou milhares de pessoas. Que fez desaparecer pessoas. Que seviciou mulheres e crianças. E sempre fez isso à custa do sacrifício da liberdade, inclusive a de imprensa, que, parece, a Folha não viu ou não quis ver. Por que a Folha, então, designa uma ditadura tão violenta, tão sanguinária, de ditabranda?

Uma ditadura que teve à frente generais tão cruéis como Castello Branco, Costa e Silva, como Garrastazu Médici, como Ernesto Geisel, pode ser tida como branda? Uma ditadura que criou monstros como Doi-Codis, como a Operação Bandeirantes, como o CENIMAR, como o Deops/SP, essa infernal máquina repressiva, de tortura, pode ser anistiada assim, como o fez a Folha? Uma ditadura que se vale de um Fleury, de um Ustra, pode ser tida, dita como branda? Só pela Folha mesmo!

"... Lamarca se levantou e tentou se afastar. No mesmo instante, uma rajada de metralhadora, disparada por Dalmar Caribé, atingiu-o pelas costas. Caiu imobilizado pelo impacto de três tiros – nas nádegas, na mão direita e no ombro esquerdo. Deitado estava, deitado ficou, sem tempo de usar o Smith Wesson e o Taurus 38. Ainda estava vivo quando recebeu mais quatro tiros, a curta distância, três deles no peito e um último a queima roupa no coração". (Do livro Lamarca, o Capitão da Guerrilha, de Emiliano José e Oldack de Miranda).

Costumo dizer que, salvo as sempre honrosas exceções, a imprensa brasileira não pode contar sua própria história. Infelizmente, sempre ficou ao lado das ditaduras e contra quaisquer governos democráticos e reformistas. O grupo Folha foi um aliado da ditadura. Por isso essa posição, a que “deixa escapar” o termo ditabranda não deveria surpreender ninguém. O neologismo ditabranda não é um simples ato falho.

Corresponde à história do grupo. Há um livro precioso de Beatriz Kushnir - Cães de Guarda - que deveria ser leitura obrigatória das escolas de jornalismo e de quem pretenda conhecer uma parte considerável da história de jornalismo sob a ditadura, de modo especial a história do grupo Folha. Por ele se compreenderá a gênese da ditabranda, se esclarecerá o quanto de cumplicidade houve entre a ditadura e o grupo Folha. Não falo mais para não prejudicar a leitura.

A Folha, depois de receber uma saraivada de críticas de leitores indignados com o editorial, fez um primor de Nota de Redação. Disse que “na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional”. Decididamente, o jornal podia ser um pouco mais zeloso, ter um mínimo de respeito com os leitores, consideração com a inteligência dos brasileiros. Será que a Folha, ao fazer sua macabra contabilidade – quantos mortos pela ditadura brasileira, quantos pela ditadura Argentina, por exemplo – queria dizer que se a ditadura brasileira matou “só” algumas centenas de pe ssoas, torturou “apenas” alguns milhares de brasileiros, foi mais branda porque “afinal” podia ter matado e torturado muito mais?

O editorial, para além dos equívocos históricos e conceituais quanto a Hugo Chávez, constitui uma afronta à sociedade brasileira e uma atitude de escárnio face a milhares de familiares de pessoas presas, torturadas, mortas, mutiladas, desaparecidas por conta da ação da ditadura quem em momento algum foi branda, insista-se.

Para aumentar o desastre, a Folha desqualificou a crítica, tentando diminuir os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, que se insurgiram corretamente contra o editorial. Lamentável.

E é sintomático que o editorial de defesa da ditadura apareça no momento em que o Brasil discute a punição dos torturadores. Muito sintomático. A existência rotineira de tortura por si só é a negação de qualquer brandura. Ditadura, nunca mais!

"... Assim que começou a atravessar a rua em direção ao carro, estalou a fuzilaria. Não se sabia de onde exatamente vinham os tiros, porque vinham de todas as direções. O primeiro perfurou-lhe as nádegas, entrando pelo lado direito e saindo pelo esquerdo. O segundo atingiu-o na região pélvica, a bala se alojando no arco pubiano. O terceiro atingiu-o de raspão, no queixo. E um quarto tiro fraturou-lhe uma costela e perfurou a aorta e o pulmão. Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura, estava morto" (Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar, de Emiliano José).

05 Março, 2009

sobre a homossexualidade

Sempre que eu vou dar aula sobre natureza humana volta o tema sobre a homossexualidade, e

acho incrível como ainda tem gente que acha que é doença...bem pra quem ainda acha...

Revista superinteressante

Homossexualidade é doença?

Não. A comunidade médica é unânime ao afirmar que nenhuma orientação sexual é doença. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra da lista de transtornos mentais ou emocionais e a decisão foi seguida por todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo.

Mas a questão voltou à tona nos últimos meses por causa de um projeto de lei - inédito no mundo - que está tramitando na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O deputado estadual e pastor evangélico Édino Fonseca (PSC) propõe que verbas públicas sejam usadas no tratamento de pessoas que "voluntariamente optarem por deixar a homossexualidade". No caso de menores, os pais poderão escolher se a criança ou o adolescente deve passar pelo tratamento. Para Édino, a homossexualidade é um distúrbio psicológico. "O tratamento vai desfazer os bloqueios que levaram aquela pessoa à homossexualidade", diz.

Apesar de o Conselho Federal de Psicologia pedir que psicólogos não colaborem com serviços que propõem uma "cura" da homossexualidade, o projeto já foi aprovado por três Comissões da Assembléia (Constituição e Justiça, Saúde e Combate à Discriminação) e está causando polêmica. Alguns o acusam de ser inconstitucional. "Se garante auxílio para um homossexual que queira ser heterossexual, e não para um heterossexual que queria ser homossexual, ele é discriminatório", diz o deputado Carlos Minc (PT). Outros o acusam de ser impertinente. "A origem da homossexualidade está em um somatório de fatores, mas ninguém sabe a causa", diz Carmita Abdo, responsável pelo Projeto de Sexualidade da USP. Se ninguém sabe a causa, como é possível um tratamento contra "bloqueios psicológicos" ser eficiente? E muita gente acusa o projeto de ser retrógrado. Afinal, soluções mágicas para combater a homossexualidade não são nenhuma novidade (veja arco-íris abaixo). "Mais importante que considerar a homossexualidade um problema psicológico, passível de ser tratado, é educar a população para respeitar as individualidades. Diferenças não são escolhas, e sim tendências que fazem parte da natureza da pessoas", diz Carmita.